segunda-feira, 19 de julho de 2010

kadu, coisa de orkut

Sou um pouco de cada dia que vi escurecer, de cada lugar que conheci. Sou um derivado dos meus amores, dos meus amigos, dos inimigos, dos livros que li, das histórias que escrevi, das camas onde passei noites mal-dormidas e amores bem trepados. Da minha família sou pouca coisa. Quase nada. Somente um Lago no final do meu nome e uma saudade em mim, que eu gosto de sentir. Aqui de longe. Como a mãe dizendo que me ama numa ligação interurbana em tarifa promocional. Sou prático, não pragmático. Descarado assumido. Prefiro a depravação à hipocrisia. Romântico. Bipolar. Pouco viciado em poucas coisas. Fumar? Somente maconha e sempre deixo claro quem fuma quem. Beber? Só algumas bocas. Ou um vinho pra acompanhar alguém até a cama. Cheirar? Não! Rio com o espelho, converso sozinho, mas curto interagir com outras pessoas. Dinheiro importa, mas não é importante. Ponho uma camisa cara e um perfume Diesel pra transitar no luxo, mas antes da madrugada acabar a camisa se suja no lixo. Ou ficar por lá. Eu sempre volto pra casa. Quase nunca sozinho. O perfume já não importa.
Trabalho, mas nasci mesmo foi pra vadiagem. Acordar às 14h e ver o sol nascer antes da cama. Porém, se me comprometo chego no horário, até assino ponto se for pra ser torturado, e acredito que dá pra viver assim por alguns meses. Mas meus textos começam a reclamar na gaveta, no micro, no A4 sobre a mesa, nos corpos de algumas figuras que encontro por aí. Então desapareço, volto a ser aquele bicho novamente, que só deseja ser feliz e escrever boas histórias. Mas ser feliz sem grana é foda! E tentar a felicidade acordando às 6h da manhã pra ganhar um salário de merda, é a forma que encontraram de foder a gente. E se for pra foder, não esqueça, quero minha parte em diversão.
Acredito em Jesus Cristo, mas a minha religião é a Literatura. A escrita que me redime. Palavras que coçam na minha mente como um mantra ou uma ave-maria de uma ladainha. Sou devoto de Shakespeare, Graciliano Ramos, Sta. Clarice Lispector; Rimbaud, Oscar wilde, Byron, Vinícius de Moraes e Caio Fernando Abreu.
Dizem que sou um Cão Urbano. Posso até ser. Mas, amei todos os outros cachorros e as cadelas que cruzaram minha estrada estreita. Largo é o caminho da perdição, e leva ao mal. Aqui é estreito sim! Quem pisou neste chão sabe. Conhece cada curva, cada alerta ao perigo. Se despencou foi porque não deu atenção. Eu bem que avisei. Tem gente que é acelerada, fica na primeira curva. Talvez eu não saiba onde estou, mas sei exatamente onde quero chegar. Tem gente que fica.
Mas queres andar aqui, sua amizade é bem recebida. Te dou flores logo de cara, e um café numa madrugada por aí, discutindo um papo-cabeça ou jogando bobagens ao vento. Só peço sua sinceridade. Em amizade, isso é fundamental! E se deseja aventuras mais emocionantes, é preciso que goste muito de beijar na boca, é necessário saber amar pra vida toda sem anestesia, mesmo que seja somente por duas semanas e meia. E, quase ia esquecendo, por favor, tenha um desempenho acima da média na cama. Se a palavra chave é amor. Posso abrir seu coração. Sou viciado em viver. Amo meus amigos, alguns familiares, um cacto que tem aqui na sala, carregando seus espinhos como um Cristo crucificado. Amo meu gatinho preto (Fernando Pessoa) que se encheu de mim, pulou a janela e foi embora. Amo meus livros, minha casa, amo escrever, vadiar, abraçar pessoas. Amo a Cidade em que existo. Amo ser eu mesmo! Ainda que mastigando minhas qualidades e vomitando meus defeitos. Alguns grudam na parede do estomago da alma, e a garganta do orgulho não deixa passar.
Quer minha companhia, segure minha mão e vamos. O desconhecido é o nosso ponto de chegada. É lá, que os covardes nunca chegam. Lá estaremos livres dessa cambada. De toda essa gente mal-amada e cagada de preconceitos. Esses caras que não perdem o Jornal Nacional, acordam cedo e morrem broxas. O meu caminho é estreito sim, mas cabe você. O mundo está aí! Vamos pegar o pedaço que nos pertence nesse latifúndio. Vem comigo, porque a vida pode ser sim, de fé, prosa e poesia

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