domingo, 22 de novembro de 2009

SE

Se és capaz de manter a tua calma quandoTodo mundo ao redor já a perdeu e te culpa,
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses, no entanto, achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E naõ parecer bom demais, nem pretencioso.
Se é capaz de pensar...sem que a isso só te atires:
De sonhar...sem fazer dos sonhos teus senhores;
Se encontrando a Derrota e o Triunfo, conseguiresTratar da mesma forma a esses dois impostores;Se és capaz de de sofrer a dor de ver mudadasEm armadilhas as verdades que dissesteE as coisas, porque deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;Se és capaz de arriscar em uma única paradaTudo quanto ganhaste em toda sua vida,
E perder e, ao perder sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração,, nervos, músculos, tudo,
A dar seja o que for, que neles ainda existe,
E a persistir, assim quando exaustos, contudoResta a vontade em ti, que ainda ordena:
Persiste!Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes;
E entre Reis, não perderes a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade;
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal, todo valor e brilho;
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
E...o que ainda é muito mais...és um Homem, meu AMIGO!

Rudyard Kipling(trad. Guilherme de Almeida)

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